segunda-feira, 26 de abril de 2010

Atenção

Não usarei mais esse blog para minhas postagens. Estou unindo-o junto do "A gravata" e "A onomatopéia" em um único blog, com um desing melhor. As postagens que aqui estão estarão também no novo blog, visitem.

www.tripudie.worpress.com
Abraços a todos, aspirante a escritor.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

às vezes,

Lembro-me das escadas que eu descia correndo sem tropeçar, procurando um amigo do lado de fora. De quando eu lia todas as palavras de todos os out-doors. Das histórias malucas que eu criava para as brincadeiras durante a tarde e da dificuldade para dormir à noite. Ainda me lembra dessas coisas bobas de moleque, de árvores que caíram há muito tempo.
Fico recordando, olhando as fotos amareladas que foram guardadas dentro de livros velhos - que eu li e reli milhões de vezes. Fico tentando sentir o gosto salgado de uma lágrima recheada no canto da minha boca, daquelas lágrimas quentes e fortes que meus olhos soltavam quando eu, menino, era contrariado.
Pego-me contando estrelas quando elas já não se mostram mais no céu, o jogo é outro: tentar adivinhar quantas estrelas estão escondidas por trás das negras nuvens. Nunca sei se ganho. Quando menino, eu sempre ganhava.
Outro dia abri a velha caixa de gibis. Estavam cheios de poeira. De mau cheiro. Mas quando os abri senti que eles esperavam ansiosos por isso. Com vontade de serem lidos, devorados, como eu, quando menino, fazia. Fazia. Fazia...
E é nesses momentos de lembranças que noto todas as fugas que eu tentei para escapar de tais lembranças, sempre sem sucesso, porque algo dentro de mim procura fielmente todo o prazer que eu sentia no "não-nostálgico" dos momentos que eu criava. E fico assustado quando jogo no meu rosto que já não crio mais como antes. Com tanta criatividade. Com tanta vontade. Empolgação.
E acho que às vezes essas lembranças são necessárias a tal ponto de ouvir aquela música, fazer birra e teimar como uma criança tola. Isso necessariamente é tão agradável?
Naquela época eu pegava uma goiaba na fruteira e me sentava no chão. As goiabas era docinhas...
Hoje me sentei no chão pra ver se eu resgatava algo lá no fundo. Mas agora eu já desisti. Aqueles momentos não voltarão mais e às vezes preciso encarar isso. E é nesse futuro incerto que começo a criar situações "toscas".
Às vezes, é preciso pensar na situação do presente enquanto algo do futuro. Aí você pára e pensa em criar e ser criativo como você nunca fora quando criança.

Tripudie?

Uma esfera, meia luz. É assim que funciona. Ela não pára, gira o tempo todo, todo o tempo; você não pode ficar parado. As propagandas lhe bombardeiam, a lascívia também. As emulações estão crescendo e nesse “mundo capitalista” você não pode parar. Ora não. Na outra também. Você tem que correr, fazer isso, aquilo, olha só o fulano na sua frente! Passa dias numa cadeira se dedicando e em questão de segundos, toda a disciplina se vai. Você perde. Não há diversão nisso. Não é para ter. É simplesmente seguir a “Nova Ordem Mundial”, essa maldita multipolaridade. Se bem que é boa, assim não é só uma voz na sua cabeça dizendo o quê e como fazer. São várias. Isso faz tudo girar, lhe deixa louco. E você se dedica, faz isso, aquilo, você vence. Mas não pára.
Afinal, quem está aqui para tripudiar?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ênfase nos olhares cinzentos


Alvo som da escritura.

Canção de guerra,

Cantos de soldados mortos

Que morreram a sós,

Nas tão dolorosas trincheiras.

Agora grita todo um povo

Que antes admirado,

Se volta ao chão como

Num ato de humilhação.

Olhos oblíquos e vivos,

Presentes em todo o sofrimento,

Enquanto a miséria envolve

Seus olhos claros,

Olhos superiores,

Olhos agora, mortos.

Asas se abatem,

Não asas de anjos,

Asas de corvos,

Asas daqueles que agora,

Não podem mais voar.

Agora, o bico do povo

Bate na rocha, e perde com dor,

Todos os seus monstros e

Conceitos, enquanto suas

Asas flamejam, e seus

Olhos queimam

O que resta agora, são cinzas...

Cinzas dos olhos claros e superiores...

Cinzas da Guerra...

08.08.2009

Defina: gostar;

Poderíamos nós enquadrar todos os verbos, sentimentos e sons? Enquadrar as codificações que explodem o tempo todo nas características dos nossos corações, mentes e privilégios. Privilégios tortos que nosso corpo entra mais como labirinto que realmente privilégios. Enquadrando, definindo... Não vale a pena talvez. Mas e aí. Ainda queremos definir, não é mesmo?

Vamos lá, bom ser humano, bom ser superior e não-quadrúpede. Enquadre, defina: gostar.

Defina algo que não tem nome. Um verbo simples e sem nome. Ao dizer: gostar, você arrepia e enlouquece. Defina algo que embaralha sua mente. Defina algo indefinível.

Defina: gostar;

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Poeta

Não consigo falar do poeta, daquele que escreve. não sei caracterizá-lo, tampouco vê-lo. Sempre que tento chego a mim mesmo e isso não é aceitável, pelo menos por enquanto. Um dia quem sabe...
Descreverei o poeta que esteja sentado no banco de uma praça movimentada, à sombra das árvores, ao lado de um vendedor de picolés. Com ele seu velho carrinho. De hora em hora o vendedor ambulante olha o relógio. Está de camisa listrada, com os dois primeiros botões de cima para baixo desabotoados e com uma calça clara.
À frente do poeta há flores amarelas e laranjadas que não se sabe o nome, no entanto não se preocupa pois não é essa a função do poeta. Não conseguiria. Há palmeiras também. Está surpreso, a velha praça ainda está bela. Tirando alguma poeira dos bancos...
Do outro lado da rua, frente à praça, um prédio grande (uma loja) onde as pessoas entram e saem o tempo todo. Está de dia, mas é impossível não notar o poste apagado. Como é outono, depois das seis da tarde ele será útil. Sentado, pensando nisso tudo e pensando em como tornaria toda essa situação em palavras. Está escrevendo algo, acho que é sobre isso. Meu Deus, o poeta sou eu.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Não venham me falar

Caminhando em diferentes blogs encontrei um texto sobre sentimentos. Ficou bonito, confesso, mas que ousadia! Dar a cara à tapa por pura empolgação na hora de escrever. Magnífico.
Fico pensando em como falar de sentimentos quando ninguém está preparado para isto. Fico imaginando, rindo comigo mesmo, fazendo escárnio da minha reação quando se toca nesse assunto.
É realmente tão complicado isso.
Ninguém está preparado para falar disso. Talvez ler, escondido, enquanto ninguém souber. Não é vergonhoso, é que... Meio superior demais para o resto do mundo. Ser humano.
Contudo, estou farto da maneira de falar de sentimentos. Estou farto de palavras dóceis de escritores malucos que querem botar palavrões nos papéis e ficam com medo - AVISO: o parnasianismo ficou para trás, há muito tempo atrás.
E pra ser sincero estou farto dos que não sabem aproveitar do modernismo e ficam escrevendo inutilidades poéticas. Não há limites, tudo pode, mas e a sua capacidade como escritor/poeta, onde fica?
E no final, todo mundo que tenta falar de sentimentos erra, e feio. O alvo está para esquerda e vocês mandam na direita! Raio de tema é o tal do sentimento, não?
Não tem como falar, nem definir. Sentimento não é som, não é foto, no fim não é nada. É tão abstrato que fica impossível dizer algo sobre ele, e quando se diz só você mesmo entende e grita por isso. É meio que um grito no escuro com um monte de pessoas surdas. Raio de tema!
E no final as mulheres não entendem quando falamos de sentimentos. E no final, nós já não queríamos isso mesmo.
Sua noção sentimental é completamente diferente da minha que por sinal é bem diferente do rapaz que postou sobre sentimentos. Uma namorada não entende, enfim, será que os sentimentos são tão particulares a ponto de ser diferentes uns dos outros, numa espetacular bagunça? Bagunça poética interior. Isso é um grito de socorro.
Então não venham me falar de sentimentos. O que os outros acham deles não me importam. No final, todo mundo sente muito pouco.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Soneto embrionário

Como admiro as mulheres. Como admiro as dores dos partos, do brilho da vida. Elas dão a luz. A luz.
E então percebo que a capacidade humana não se restringe às mulheres. Não se restringe aos hospitais, obstetras nem nada parecido. Restringe-se às virtudes.
E então um embrião manifesta nas suas idéias. E você o gera. Delícia de idéia!
Você controla ela no papel, como um pai faz com um filho? Não. Isso não favorece um soneto, eu sei.

Idéias são luz. E tudo cresce, as idéias também. Meu Deus, como preciso dizer o quanto é importante gerar as idéias e criá-las no papel.

Embrião, aquele ovinho em potencial, com capacidade para se tornar tudo. E é dessa potencialidade que falo. Dessa capacidade de ser tudo (em potencial) - meu Deus, como estou repetitivo nesse início de tarde.
As idéias têm o potencial de fazer os outros pensar. De agir. Idéias. Como quero dar a elas um berço num caderno de folhas brancos, simplesmente para elas o sujarem. Idéias! Como quero vocês consumadas com toda a sua potencialidade significante no "sepulcro de neve" (Olavo Bilac).
E depois de caminhar essa manhã por um estrada sem fim de idéias, de criatividade exposta a quem quiser ver, depois de rir do Kafka, simplesmente penso no sorriso desse embrião que devia ser um soneto, mas acaba num cabimento de texto.
Acho que isso é fruto de um soneto embrionário.

Tem a ver com fé

Você decide onde aplicar sua fé. Seja na esperança de vida eterna, em crer prontamente que o sol estará brilhando no outro dia pela manhã. Ainda com fé estudamos para fazer uma prova e ser aprovado, com fé buscamos algo dentro de nós que realmente seja bom.

A questão é: onde buscar essa fé? Aplicar integralmente a fé que nos resta em uma pessoa, que você acredita ser aquela preparada para estar do seu lado. Integralmente, se aplica a fé naquilo que queremos. Mas sempre há “contra-tempos” que nos impedem e então tal fé fica abalada. Normalmente você então passa a aplicá-la em outra coisa e infelizmente novamente ela será abalada.

Decidir onde aplicar a fé que está guardada a sete chaves dentro do seu coração é completamente normal. Mas por quantas vezes? Algo usado como fé por uma vez e é traído por coisas inesperadas se aplica a tudo, mas a fé, a verdadeira fé se aplica em coisas que parecem estar longe da realidade. A verdadeira fé é abalada, porém ela não é volúvel. A fé permanece. A fé acontece. Por mais que você não queira acreditar você acredita; isso é um sintoma de uma fé viva.

Essa fé imutável alcança as coisas. Alcança tudo. Algo que está dentro de você e não tem como mudar. Como a cor dos seus olhos, como o sabor do que é doce. A fé que está em você, se realmente existe nunca mudará. Se você resolve aplicá-la, não permita que ela se abale. A fé é o que você é.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Tapas

A cada dia, o homem tenta renovar seus conceitos, tenta descobrir-se mais são e principalmente superior. Essa "renovação" é frustrada pelo simples fato do homem desacreditar de seus princípios.
O próprio homem desacredita que de onde ele venha não exista evolução, e essa evolução tão desejada ocasiona na sua própria destruição. O homem é ensinado a conter princípios animalescos, e quando maior, a corromper tudo que lhe foi ensinado. Tudo o que é feio e mal educado. Todas as coisas necessárias para viver em sociedade.
O homem desaprende a dar a mão. Desaprende a ser humano, e logo aquele que tanto evoluiu, que raciocinou no decorrer da história, se descobre seu pior inimigo. Descobre-se impotente e principalmente irracional por formular sua própria destruição. Muitos animais aprenderam a viver em comunidade, então por que o homem quer destruir a própria semelhança?
Descubramos logo a importância do ser humano à mercê da natureza? Lembrar que somos muitos, mas estamos sozinhos em um imenso universo e somente juntos podemos nos sobressair.
No decorrer da história se encontra personalidades fantásticas que em essência são formadas pela característica humanista; muito morreram por iss e outros foram aclamados.
Hoje não se vê morte por um pensamento. Hoje, não se vê pensamento.
E enquanto ninguém se dá ao trabalho de pensar, de ser humano o suficiente para notar o outro, procuremos encarar somente as nossas crianças. Enfim, a sociedade surtirá nelas. Você pode oferecer mais que uma moeda?